Sob um céu de blues
28.5.12
20.5.12
19.4.12
Canção para sua morte
12.4.12
si.mu.la.cro s.m. 1. representação artificial da realidade 2. espectro, sombra, fantasma

"as pernas cruzadas no sofá forrado de algodãozinho estampado de lilás e malva da sala do apartamento dela, as pernas apertadas com força protegendo as bolas, como se ela estivesse sempre a ponto de violentá-lo no segundo seguinte, enquanto ela se ocupava em servir mais vinho branco seco gelado com pistache, contemplar as rosas amarelas no centro da mesa e comover-se a admirá-lo, assim jovem, assim estrangeiro no próprio país, assim aterrorizado com qualquer possibilidade do toque de outro humano em sua branca pele triste sem amor vinda do exílio."
- Caio, desvendando a sua imagem...
(de "ao simulacro da imagerie", as entrelinhas da nossa história)
O sujeito passional não é agente,
mas paciente, mas há na paixão um assumir os padecimentos,
como um viver, ou experimentar, ou suportar,
ou aceitar, ou assumir o padecer que não tem nada
que ver com a mera passividade, como se o sujeito
passional fizesse algo ao assumir sua paixão. Às vezes,
inclusive, algo público, ou político, ou social,
como um testemunho público de algo, ou uma prova
pública de algo, ou um martírio público em nome de
algo, ainda que esse “público” se dê na mais estrita
solidão, no mais completo anonimato.
- Jorge Larossa Bondía
"eu queria passar a língua nos seus dentes
e sentir o gosto do seu cigarroe deitar a cabeça no seu ombro
e sentir o cheiro da sua nuca bem de perto
por muito muito tempo
eu queria assim
respirar na sua nuca
horas, horas sem abrir os olhos
eu queria te abraçar por dentro do seu casaco
ficar ali dentro e esquecer tudo que os outros falam
eu queria te levar na pracinha no sol do inverno
e te mostrar a minha estante
eu queria te ler aquele poema
e que você me mostrasse uns seus
eu queria que todos esses corações servissem para alguma coisa
que você conseguisse consertar pelo menos um deles

nenhum funciona
tá tudo furado
tudo quebrado
tudo vazando
tudo zoadoeu queria
acordar de manhã e ver o seu cabelo bagunçado
eu queria que você ficasse mais
e me ouvisse mais
e me olhasse mais como acontece por acaso
eu queria"
tá tudo furado
tudo quebrado
tudo vazando
tudo zoadoeu queria
acordar de manhã e ver o seu cabelo bagunçado
eu queria que você ficasse mais
e me ouvisse mais
e me olhasse mais como acontece por acaso
eu queria"
eu queria... sentir você
29.3.12
meus tormentos
as minhas impossibilidades diante das tuas possibilidades. as minhas negações diante das tuas doações.

você me chega aberto, quente, as mãos expostas. seu leite quente derramado sobre o meu leito, o meu rio. sua fala febril, torpe. você grita. você geme baixinho e depois grita. grita todo o amor que eu recuso. eu que me calo, eu que me fecho, eu que te desprezo. eu nua e invadida. essa violência posta que nos encara. essa dor, esse medo, esse desatino. a violência do silêncio. o olho que suplica. a voz que não acalenta. a incoerência de tudo. o vento que bate. a mão que bate na porta. a violência posta está nos encarando. a umidade da boca que não mata a nossa sede. eu desértica, você fértil. você concretude, eu luminosidade. sou toda brisas.
18.3.12
Em nossa arrogância, passamos a vida opinando sobre qualquer coisa sobre que nos sentimos informados. E se alguém não tem opinião, se não tem uma posição própria sobre o que se passa, se não tem um julgamento preparado sobre qualquer coisa que se lhe apresente, sente-se em falso, como se lhe faltasse algo essencial. E pensa que tem de ter uma opinião. Depois da informação, vem a opinião. No entanto, a obsessão pela opinião também anula nossas possibilidades de experiência, também faz com que nada nos aconteça.
- Jorge Larossa Bondía
11.3.12
odes obscenas nas janelas do crânio - o episódio que provocou a suspensão de Ginsberg da Universidade de Columbia em março de 1945. Sua faxineira recusava-se a arrumar seu alojamento na universidade; em represália, Ginsberg rabiscou duas frases com o dedo no pó que recobria a janela: "Fuck the Jews (fodam-se os judeus)" (achava a faxineira anti-semita) e que o reitor de Columbia não tinha colhões, "Butler has no balls", além de desenhar um caralho e uma caveira com tíbias cruzadas. A suspensão também foi por ele haver hospedado Kerouac, proibido de pisar em Columbia. Implícita, a suspeita de ambos terem passado a noite transando. Mesmo com professores como Trilling e Van Dores intercedendo em seu favor, foi resolvido que não retornaria a Columbia antes de trabalhar em um emprego durante um ano e consultar um psiquiatra, que deveria fornecer atestado de que ele tinha condições de retornar à universidade.
(nota de rodapé de Uivo, do Ginsberg)
7.3.12
El Mingo me dijo que pasando el horizonte está el mar y que yo nací para irme. Para irme, nací yo. Agarrás el camión y te vas, me dijo. Y al que no le guste lo pisás con el camión. Así que me voy. Al mar, me voy. Y me llevo todas las cosas de mi hermano. Me monto en mi camión y hasta el mar no paro. Yo al mar sí que no le tengo miedo. El mar me estaba esperando y yo no sabía. Cómo será? Cómo será el mar?, le pregunté a mi hermano. Cómo será mucha agua junta? Y el mar respira? Y contesta cuando le preguntan? Tanta agua que tiene el mar! Y no se le escapa?
- Galeano
13.2.12
"Minha voz é seca. Quando falo, tropeço em pedras. Sou na consistência da dureza, mas flutuo. É que, na minha espera, imito a pluma. E desvaneço as nuvens quando durmo, sonâmbula na madrugada azul sem luas. Todas as horas pesam. E eu tenho o pretexto da espera para levitar: sou alada como uma bruxa. Voando, vibro. Sou um instrumento de sopro, mas sem finalidade. Sôo, côncava, na tessitura de um acorde. Então me alargo. Disponho a gramatura de uma nota sobre o campo, como um lençol estendido de girassóis: sou amarela. E peco por esperar. Tudo que vislumbro são sinais sem eco. Minha espera é vazia. Compartilho com a maré a redundância da falta. E me repito na ausência de uma resposta: eu sou aquela que lançou a dúvida no espelho. Todos os minutos são iguais. Meu gesto se intercala entre tédio e tédio, fome e fome. Sou é no apetite do etéreo. Abro a exuberância do dia sem opção,na calada da tarde, no improviso da sílaba. E o que recolho são instantes murchos: a flor é para quem acredita. E a solidão do espinho do limão reverbera em minha voz plena de sais, de águas secas. Tenho todo o tempo da espera, menos a vida. Possuo a febre do inacessível. Tento e me tapo. Saboreio a tremura de um frio na alma, eu toda ardente de neve: só sou barroca porque me perco. E engulo letras azuis."

1.1.12
Livros de 2011
Esqueci de postar antes, então lá vai: na ordem que vier à memória:
- flores azuis, carola saavedra
- dentes guardados, daniel galera
- máquina de pinball, clara averbuck
- 360 graus, amanda costa
- leite derramado, chico buarque
- a metamorfose, kafka
- o caderno rosa de lori lambi, hilda hilst
- o pau, fernanda young
- o efeito urano, fernanda young
- perto do coração selvagem, clarice lispector
- fora de mim, martha medeiros
- pequenas epifanias, caio fernando abreu
- o instinto da linguagem, pinker
- madame bovary, flaubert
- o uraguai, basilio da gama
- a comedia dos erros, shakespeare
os que estão pela metade:
- o amor nos tempos do cólera, garcia marquez
- cartas na rua, bukowski
- clarice, uma biografia, benjamin moser
Poucos. A maioria foram livros técnicos e leituras encomendadas (desses eu só coloquei os que realmente gostei). E algumas releituras. Os que estão grifados são as grandes surpresas para a minha estante, asterisco neles. E fica a promessa de ler mais - por prazer - no ano que vem.
- flores azuis, carola saavedra
- dentes guardados, daniel galera
- máquina de pinball, clara averbuck
- 360 graus, amanda costa
- leite derramado, chico buarque
- a metamorfose, kafka
- o caderno rosa de lori lambi, hilda hilst
- o pau, fernanda young
- o efeito urano, fernanda young
- perto do coração selvagem, clarice lispector
- fora de mim, martha medeiros
- pequenas epifanias, caio fernando abreu
- o instinto da linguagem, pinker
- madame bovary, flaubert
- o uraguai, basilio da gama
- a comedia dos erros, shakespeare
os que estão pela metade:
- o amor nos tempos do cólera, garcia marquez
- cartas na rua, bukowski
- clarice, uma biografia, benjamin moser
Poucos. A maioria foram livros técnicos e leituras encomendadas (desses eu só coloquei os que realmente gostei). E algumas releituras. Os que estão grifados são as grandes surpresas para a minha estante, asterisco neles. E fica a promessa de ler mais - por prazer - no ano que vem.
28.12.11
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